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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

Laban

“Movi-me pela alegria e pelo júbilo, para expressar toda a beleza e ordem do universo. Através da Dança eu via ordem de todas as coisas. Vi algo que é absolutamente magnífico e que havia uma única forma para expressar tudo isso – o movimento do meu corpo e de minha alma, juntos eles eram capazes de criar um ritmo para o movimento e, assim eu dancei”. Laban

Rudolf Laban, bailarino e coreógrafo austro-húngaro, estudou Arquitetura, juntamente com suas concepções corporais no espaço, estruturou geometricamente seu método.

Quebrou as duras doutrinas dos movimentos estereotipados atribuídos à dança e criou, em vez disso, um modo de ver muito mais amplo no que diz respeito aos movimentos do corpo e trabalhou com a forma natural das pessoas se movimentarem. Todos os trabalhos que desenvolveu foram sobre os elementos que constituem o movimento e a sua utilização, dando ênfase aos aspectos psíquicos e fisiológicos que levam o ser humano ao movimento.

- Que parte do corpo se move (o que se move)? - Em que direção é que se move (como se move)? - Onde se move? - Com quem ou com que se move?


domingo, 26 de junho de 2011

Entrevista

Quem?

Entrevistei meu antigo professor de instrumento que está ligado à educação musical, tanto em aulas individuais como coletivas, há mais de dez anos.

Onde? Quando?

A entrevista ocorreu em sua sala de aula no conservatório onde trabalha, sem a presença de mais ninguém, em uma hora marcada somente para isso.

O Quê?

A priori me atei em sua relação com o corpo na educação.

Registro: Selecionei algumas questões, as quais julguei mais pertinentes para utilizar naquela situação, vou transcrever parte da entrevista:

Pergunta: Qual relação você percebe entre o corpo e a música?

Resposta: Total relação. Primeiro, a música é sensação. Além de escutar os sons, sentir as ressonâncias, a vibração, tanto a voz ou instrumento, é o corpo que executa. No canto a ligação ainda é maior, pois você é o instrumento e o instrumentista.

Minha Observação: "Concordo com a total relação e ainda acredito que esta relação de execução deveria ser tão forte nos outros instrumentistas quanto é para o cantor."

Pergunta: Na educação musical, como essa relação deve ser trabalhada?

Resposta: Devemos sensibilizar o aluno sobre essa relação entre o corpo e a música, levá-lo a sentir essa proximidade, principalmente na execução da coisa. A maneira que essa relação é feita é pessoal. Levando o aluno a buscar sensações no próprio corpo. Nós somos facilitadores dessas descobertas.

Pergunta: De que forma você acha que o formato da aula de música dentro da escola atua na relação corpo/música?

Resposta: Existem várias áreas de atuação ajudando a acalmar e sensibilizar os alunos, no pensamento lógico matemático e conhecimento físico do aluno. Principalmente no canto, onde ele aprende ressonâncias e várias maneiras de utilizar a sua voz.

Pergunta: Como você percebe seu corpo na sua aula de música?

Resposta: O meu corpo é um instrumento, me sinto um instrumento e ele funciona da mesma forma. Na parte respiratória como uma gaita de fole, um trompete na parte da laringe e na execução como um violino, com mais canção e menos força.

Minha observação: “Além dessa parte fisiológica, percebo o meu corpo na parte expressiva.Tentando não repreender nenhuma tentativa de execução, não reprovar seus esforços, mesmo que gestuais.”

Pergunta: Durante uma performance musical, como você procura manter o seu corpo para uma boa execução?

Resposta: “No meu caso, onde meu instrumento é o canto as questões que mais me preocupam , que requerem atenção, são: as da saúde do corpo, da execução, do conhecer meus limites, de usar um tom confortável e principalmente quando estou cansado- o que fazer.”

A questão emotiva é mais preocupante para mim, tento controlá-la através da técnica, tendo muita consciência do meu instrumento, mas o que mais me ajuda é quando consigo me enxergar como personagem naquela situação, respeitando a minha personalidade.

Minha observação: “Acredito na ideia do personagem, como também na ideia de coreografia, de exploração de movimentação, criando um repertório extenso de possibilidades e escolhas coreográficas pré-definidas.”

Pergunta: Quais os benefícios e/ou malefícios desta atitude corporal?

Resposta: Na minha atuação, o grande malefício é minha defasagem de repertório gestual.

Minha Observação: “Como dizia, esse repertório é criado de diversas maneiras, mas a principal é a experimentação que busco de maneira diária com meus alunos, para que eles partam de si, se conheceram e, assim, possibilitando coisas bem executadas, pessoais e únicas.”

Pergunta: Quais as vantagens e desvantagens da "postura erudita"?

Resposta: A postura erudita tem como desvantagem o engessamento. Tem que haver uma adaptação, principalmente no canto, isso requer um grande trabalho, tanto vocal quanto interpretativo, ao mesmo tempo é melhor do que fazer mal para seu corpo, principalmente de maneira intrínseca.

Minha observação: “A postura erudita tem que ser aprendida, mas na minha opinião não deve ser executada durante a prática. Devemos buscar a adaptação do ideal em cada movimento ou gesto, não podemos dançar durante a prática ou mudarmos de qualidade postural, assim, enquadrando nossa expressividade a poucas possibilidades.”

Pergunta:Qual foi a adaptação feita na sua postura para tocar enquanto dá aula?

Resposta:A minha maior adaptação foi a cadeira com rodas, o que possibilitou me movimentar, tocando com o corpo reto para o instrumento ou tocando de lado.

Pergunta: Você indica alguma postura aos seus alunos?

Resposta: Sim , a postura erudita desde que eles sigam as orientações.

Minha observação: “ Começo do ideal erudito, mas sempre vou pela música e seu significado para o próprio aluno. Como é esse corpo? O que significa para você? Qual movimento surge através desse sentimento? Como podemos usá-lo?...”

Pergunta: Que importância você atribui ao gestual na prática musical, seja no lecionar ou na performance?

Resposta: O gestual é de extrema importância, mas considero de grande dificuldade, devido a falta de repertório de movimentações, principalmente porque toco e canto ao mesmo tempo, o que às vezes impossibilita minha atenção em outros fatores, como no gesto musical.

Minha observação: “O gestual é o princípio da música, sem ele não haveria nada, nem uma nota, nem uma diferente dinâmica ou diferentes nuances. Sem o gesto não há música!”

Conclusões

A entrevista foi surpreendente por diversos motivos, pois trouxe uma inquietação para o entrevistado e muitas conscientizações para mim. Acreditava que ele não tinha esse tipo de preocupação, mas senti que a tem, mesmo que seja de maneira superficial com muitas dúvidas, pude compartilhar muitas experiências que nunca tínhamos compartilhado e conhecimentos e troca de conhecimentos.

No meio da entrevista ele se desarmou falando: Será que vou conseguir responder suas questões?

Eu disse: Responda a realidade, sem conclusões, pois nada é conclusivo, tudo é cíclico.

Considero que o estudo nunca acaba e sempre temos possibilidades de aprender mais. Concluí que ele também tem esse conceito. A frase que ele disse que mais contribuiu para mim e que não tinha nem relação direta com a entrevista, foi:

Aprendemos mais dando aulas do que fazendo!

Essa é a mais pura verdade, a qual sinto cada dia, em cada tentativa de ensinamento em cada fagulha de um novo conhecimento.

Living Architecture - extract

Contribuições


Quais as suas contribuições desse conhecimento para sua atuação como educador musical?

Realmente houveram contribuições para minha atuação como educador musical. Tinha esquecido dessa união da música e o corpo, dessa necessidade de coexistência entre as duas.

Voltei a usar esses conhecimentos corporais em minhas aulas com um leve aquecimento, uma mudança de estado!
O despertar dos Sentidos

E, também na interpretação das músicas criando novos movimentos, internos e externos, que influenciam diretamente na execução e como isso afeta o espectador, como modifica sua maneira de observar a produção.

O foco, olhar do aluno enquanto executa a música, a escolha de direção deve ser feita.
Para onde olhar? O que quero passar? Como passo isso?

Me tocou,
Me fundiu novamente,
Me lembrou,


Estava fragmentado, posso usar os meus conhecimentos de diferentes áreas para tentar educar por completo. Criar um ser complexo, um ser multidimensional.

Relatos e Reflexôes

As aulas foram antes de tudo uma grande retomada, uma redescoberta. Através dos trabalhos, como do espreguiçamento e do acordamento esquelético, pude relembrar o que é o corpo, reenergizá-lo. Principalmente depois de tanto enfoque teórico. Despertaram em mim meus antigos trabalhos com Eutonia, Improvisação, Coreografias.


A exploração de movimentos das articulações, o deslocamento pelo espaço conduzido pela articulação, o jogo de improvisação em dupla usando os fios, continuou, por se tratar de um trabalho sem fim, minha eterna construção de repertório de movimentos.

Fizemos também o exercício da estátua (deslocamento por espaço quando a música para, evidenciando uma articulação) do apoio na dupla, coreografias, apresentações, as seis vértices, oito faces (frente e atrás, direita, esquerda, em cima, em baixo), retas e curvas, a cinesfera (Espaço Geral e Espaço Pessoal), pegar o movimento do outro e, através da qualidade mais significativa transformar em outro movimento, a partir do movimento criar uma foto, jogo de improvisação em duplas, diálogo corporal: movimento X forma, aquecimento com velocidades, andar com o tempo sustentado/prolongado, acelerado e desacelerado. Todos os exercícios que contribuíram para esse refinamento das minhas possibilidades de motricidade. Além dos trabalhos que mais me marcaram que foram:

" e se....."
Do que vou chamar como: FOCO

Olho e vou em direção ao outro e modifico o movimento. Olhar em afinidade com a direção que vou, movimentos que demonstram essas direções no espaço. Os quais me lembraram o quanto o outro se influencia pelo que vê, ou o que passo. Comecei a prestar atenção nisso e na minha postura social e corporal, modificando-a perante necessidades diferentes.

E a: TENSÃO ESPACIAL

Tensão espacial (preencher ou perfurar). A tensão espacial criada com o estreitamento do túnel. Atravessar, perfurar com som o túnel, preencher essa tensão encaixar, encaixe coletivo, amarrar com encaixamento. O preenchimento do espaço, como criamos imagens significativas no palco ou na vida, ao criar certas tensões espaciais.


Como eu percebo meu corpo durante minha prática musical

A minha prática musical por essência é muito corpórea pela técnica utilizada no canto: a utilização da respiração, do diafragma, dos músculos intercostais, o apoio dos músculos do abdômen, do esfíncter, além do controle fino da laringe e suas partes que exigem uma consciência corporal fina como a glote, a epiglote e a musculatura externa do pescoço, boca e língua que não podem estar tensas, mas precisam trabalhar. Ainda têm a utilização da audição e do cérebro.

Na respiração tenho que sentir a quantidade exata de ar e controlá-la através das necessidades de cada nota ou frase musical. Para o aumento da minha capacidade respiratória, o controle é feito pelo diafragma e músculos intercostais com seu relaxamento propiciando a ampliação do pulmão. O apoio dos músculos do abdômen transverso, reto e oblíquo interno, principalmente, são responsáveis pela saída do ar, através de seu tensionamento.

Através do esfíncter, uma utilização consciente da próstata como apoio, pode ocasionar um alongamento das notas muito superior e sem demonstrar que o ar está no término.

O controle da laringe é o crucial em todo esse processo da prática, pois é o que determina a beleza, a saúde e longevidade da minha voz. A laringe deve estar principalmente com a glote relaxada, propiciando uma fonação sem tensões desnecessárias, já a epiglote, juntamente com a úvula, devem estar elevadas aumentando o canal de passagem do ar dando volume, potência e massageando toda a laringe com o ar enquanto canto.

A musculatura externa do meu pescoço não deve ser tensionada, mas deve relaxar principalmente o esternocleidomastóideo e o trapézio, grande responsável pelo tensionamento da voz, a boca grande responsável pela articulação deve estar relaxada e disponível para mobilidades grandes ou pequenas, trazendo uma compreensão das palavras, com a mandíbula relaxada, língua deve estar fortificada, mas de maneira alguma dura, trazendo um grande trabalho dos músculos supra-hióideos.

A minha audição deve estar disponível e atenta à toda mudança, pensando em conjunto com o instrumento, ou à capela conectada comigo. O cérebro é o grande responsável por todo este processo e deve, além disso, estar atento ao ritmo e à afinação.

Além desta parte fisiológica minha prática exige que o corpo esteja em sintonia com o sentimento da música ou qualquer outro fator que o intérprete quer passar para o público.

Acredito que o corpo é utilizado por completo em minha prática musical e precisa estar em perfeito equilíbrio para que esta funcione de maneira competente e estética.

Dinâmicas, Ações

Dinâmicas

Peso tempo

Firme prolongado

Leve repentino

Espaço direto ou indireto

Ações do esforço

LEVE- LENTO- INDIRETO- FLUTUAR

LEVE- LENTO- DIRETO- DESLIZAR

LEVE- RÁPIDO- DIRETO- PONTUAR

LEVE- RÁPIDO- INDIRETO- CHACOALHAR/BRILHAR

FIRME- RÁPIDO- INDIRETO­ - CHICOTEAR

FIRME- RÁPIDO- DIRETO- SOCAR

FIRME- LENTO DIRETO- PRESSIONAR

FIRME-LENTO- INDIRETO- TORCER


Como identificar essas diferentes dinâmicas nas músicas?

Músicas que flutuam ou socam?

Através de todos seus sentidos, deixando o corpo se movimentar e buscar essa ação!


Coreologia



Coreologia?

A Coreologia é a ciência ou lógica da dança.

“ A coreologia busca uma abordagem unificada do estudo da dança, propondo que prática e teoria não devem estar separadas e que o conhecimento coreológico combina pensamento e sentimento juntos ao fazer da dança.”

Fonte Dicionário Laban

Cinesfera ou Kinesfera



Video de explorações usando a cinesfera, conceito de Rudolf Laban

Cinesfera ou kinesfera

Kinesfera

Uma espécie de esfera que delimita o espaço pessoal, no entorno do corpo, cercando-o em movimento ou não.

“É delimitada espacialmente pelo alcance dos membros e outras partes do corpo do agente quando se esticam a partir do centro do corpo, em qualquer direção, a partir de um ponto de apoio”

”A cinesfera também é um espaço psicológico, a partir do qual toda a expressividade guarda coerência. O movimento mais integrado e complexo surge a partir da cinesfera-icosaedro, enquanto o movimento mais primitivo e simples surge a partir da cinesfera-tetraedro”

“ A cinesfera externa tem relação com a pele e é elástica como a pele é. A capacidade de elasticidade da cinesfera permite ao agente interagir com o espaço e outras cinesferas.”

Fonte Dicionário Laban

terça-feira, 14 de junho de 2011

Bem VIndo(a)

Ola Seja Bem vindo(a) ao meu Webfólio!

Clique na matéria de interesse acima e navegem pela Pos-graduação em Educação Musical, da Faculdade Cantareira, vista pelos meus olhos!

Agradeço
Diogo M.Vieira